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Dragão Marinho - Antonio Virgilio de Andrade

Indomável voragem da ilusão
Titã esfinge do ser
Cavalgando delírio, prazer.

Lábaro cadente da comiseração
Torpe devaneio dos incautos
Preludioso jardim dos náufragos.

O epidérmico oceânico
Desfruta íntimo relicário
Eretismo orgânico
Gozo fadário.

Marolas abissais
Indomável leveza
Sussurra-me teus ais
Na cúspide das profundezas.

 Escrito por o editor às 14h50 [] [envie esta mensagem]



Homenagem a Pessoa - Ana Guimarães

Sem filosofia. É melhor viver
só com os sentidos
falar da natureza sem saber o que ela é
só por amá-la
ser um carro de boi e não um homem:
não ter esperanças, só rodas
nem rugas ou cabelo branco
para quando tirar a máscara
e se ver no espelho
(que reflete certo porque não pensa)
não ter envelhecido...

Uma vez Portugal foi só nevoeiro
tudo disperso, nada inteiro
mas, tendo sido todo e inteiro, pra que serviu?
qualquer mendigo invejo agora
só por não ser eu

Senta-te à porta de casa
para apreciar os campos
que, afinal, são mais verdes
para quem foi rejeitado
contenta-te com o espetáculo do mundo
só de sentir calor e frio e vento
já vale a pena ter nascido
mesmo não tendo sido amado.



 Escrito por o editor às 14h42 [] [envie esta mensagem]



De Vaga Ação - Pedro Chaltein

Comecei a escrever-me:

Quantas luzes vagam acesas nesta noite... E quantas luzes apagadas fazem a noite desta cidade chamada de “Belo Horizonte”... Mais ou menos cinco milhões de seres humanos. Quantas luzes vagas...

Um menino da roça me disse um dia que vaga-lumes eram luzinhas do espaço que, ao depararem com a imensa luz do Sol, humildemente reconheceram e aceitaram uma forma opaca de inseto. Quando eu tinha sete anos, um tio me disse que vaga-lumes eram insetos que possuíam na bunda algumas substâncias químicas específicas capazes de gerar curtas e intermitentes ondas de luz. O menino da roça viu Deus. Meu tio, acha que é Deus.

Meu tio é médico pesquisador de neurofisiologia cerebral na Academia. Ontem ele comprou equipamentos de alta tecnologia diretamente do hospital John Hopkins, lá dos Estados Unidos.

O filho desse meu tio tem sete anos. Ele me falou ontem que não mata mais as formigas porque: “depois que a gente morre, Deus nos julga por uma lista dos animais que matamos. E eu já tenho umas 42 formigas e 14 pernilongos nas costas...”

Este meu priminho tem um amigo de sala chamado “Godinho”. Godinho é muito gordinho. As meninas da sala fizeram uma lista construindo o homem perfeito da turma: “1 - o olho do Mateus; 2 – o rosto do André; 3 – o cabelo do Lucas; 4 - o peito, os braços e as pernas do Guilherme; 5 – e gente boa igual ao Godinho.”

A mãe do Godinho é a esposa de Tadeu de Albuquerque e Bragança. O sobrenome de Godinho é “da Silva Albuquerque e Bragança”. Quando jovem, a mãe de Godinho foi eleita miss da XI Festa da Uva de Ubiratanga. Nesta mesma festa conheceu Tadeu de Albuquerque e Bragança. Hoje, a mãe de Godinho tem 21,9 Kg a mais do que na XI Festa da Uva de Ubiratanga.

Tadeu de Albuquerque e Bragança torce pro Atlético, “mas” todo dia lê a segunda página (“Opinião”) da Folha de São Paulo, o melhor jornal do Brasil.

O Atlético jogou contra o Corinthians. 87.453 pessoas pagantes entraram no estádio. Quase todos eram atleticanos. Todos os jornais do país haviam noticiado que, dias atrás, o atacante do Corinthians havia bebido algumas doses de Whisky e pegado a direção do seu automóvel importado. Naquela noite, ele acabou atropelando um casal de jovens. O casal morreu na hora. No estádio, todos (!) os atleticanos gritavam: “Ô [nome do atacante] otário... Seu Assassino! Cachaceiro!! E Mercenário!!!”

Explicação do termo “mercenário”: no campeonato anterior, este atacante do Corinthians era o artilheiro do Atlético. No Corinthians, seu salário é maior.

O João da Silva, ex-agente penitenciário da SEDS – Secretaria de Defesa Social, também “mudou de lado” em busca de um salário melhor. Quando era agente penitenciário, ganhava R$417,00 por mês. Hoje, como traficante (não usuário), ganha no mínimo dois mil.

No ano dois mil depois de Cristo, mais de um bilhão de pessoas estavam apreensivos pela possibilidade de acontecer “o fim deste mundo”. O que, na verdade, (segundo a previsão dos maiores especialistas em generalidades da História da humanidade – Os Maias da América pré-colombiana) só irá acontecer no ano de 2013 d.c. do calendário gregoriano.

Segundo os Maias, o fim deste mundo não precisa ser algo doloroso. Tal acontecimento nada mais é do que uma evolução da sintonia das energias da Terra. Nosso planeta irá vibrar em uma dimensão a mais e será realizada o que muitos chamam de a “Era de Aquário”, quando as intuições humanas aflorarão amplamente e voltaremos a reconhecer que pensamos primeiramente com o coração e só depois com a razão.

Racionalizando um impulso do meu coração: neste instante em que lemos e escrevemos esta oração, uma criança somaliana, raquítica, cabeçuda, morre de desnutrição. Doença vulgarmente conhecida como “fome”.

Segundo pesquisa da FAO / ONU, no ano de 2001 d.c. havia mais de 800.000.000 de indivíduos humanos desnutridos.

Segundo esses dados, a população de humanos famintos é quase 1/7 de toda a população humana do Planeta Terra e a tendência estatística é um contínuo aumento do número de famintos.

Agora, vou acabar este texto. Deu fome. Minha barriga está vaga e minha tia está pondo a mesa do lanche desta noite: tem pão, manteiga, leite, queijo, suco de laranja...

Comecei a comer-me...



 Escrito por o editor às 12h53 [] [envie esta mensagem]



Moça, chega - Jorge Pasin

Moça, chega dos temas habituais:
Impressões da natureza, o fluir do tempo.
Chega do amor, chega do sofrimento.
Chega da beleza dos modernos hai-kais;
chega dos clássicos sonetos geniais.
Chega até aqui devagarinho
e lê bem baixinho um beijo em minha boca.



 Escrito por o editor às 10h55 [] [envie esta mensagem]




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